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Desde 2017, quando Instituto Cão Companheiro foi fundado, buscávamos ofertar informações relevantes sobre o Cães de Ajuda Social. Por ser um projeto semente, sem fonte de recursos, com equipe reduzida e sem uma proposta bem definida para a sua atuação, o projeto permaneceu estacionado e ano passado, 2024, resolvemos reativá-lo.

Neste momento o projeto retorna com cara nova, mas com sonhos antigos reavivados. Mais maduro, consequência de um período atribulado e cheios de desafios pessoais, acadêmicos e profissionais – que acreditamos que fará toda a diferença para os próximos anos.

Nossos projetos já estão definidos, nossa área de atuação, nossa missão e os valores que buscaremos compartilhar em nossas redes sociais. Entretanto, faltam detalhes para que a estrutura de trabalho esteja completa.

Ok… Ok… Mas afinal, o que são Cães de Ajuda Social?

No ICC divide-se os Cães de Ajuda Social em três categorias:

  • Cães de Serviço
  • Cães de Interações Assistidas por Animais
  • Cães de Apoio

Todas as três categorias englobam os cães que prestam algum tipo de ajuda e melhoram a autonomia, a autossuficiência e independência de pessoas com dificuldades sensoriais, motoras, psiquiátricas e orgânicas, porém estes cães adquirem estas habilidades e comportamentos específicos através de treino profissional.

Cães de Serviço

Os Cães de Serviço, também conhecidos como Cães de Assistência (como preferir), estão por sua vez divididos em:

Cães de Assistência para Pessoas com Mobilidade Reduzida, ou seja, para cadeirantes (a grande maioria), estes animais são preparados para ajudar estas pessoas em tarefas que devido sua incapacidade podem se tornar difíceis de realizar, como por exemplo abrir uma gaveta e pegar um objeto; acender uma luz; abrir e fechar uma porta; tirar meias ou jaquetas; colocar roupas na maquina de lavar; trazer objetos ou pegá-los do chão e uma infinidade outras habilidades. A exigência das certificadoras internacionais de Cães de Assistência é que o cão execute pelo menos três habilidades.

Cães Ouvintes são os animais destinados a pessoas surdas, ajudam em tarefas como informar que o celular está recebendo mensagens, a campainha está tocando, que o bebê está chorando, alarmes em geral e despertadores.

Cães-Guia de Cegos ajudam o deficiente visual na sua mobilidade e orientação, desviando de obstáculos no solo e aéreos (galhos, orelhões, placas), parando em cruzamentos, encontrando faixas de segurança, entre outras tarefas dentro do contexto urbano.

Cães de Alerta Médico são animais treinados para o auxílio de diabéticos tipo 1, epiléticos e alérgicos alimentares. O trabalho do cão de hipoglicemia é informar a queda de glicose no sangue do seu usuário. Já o cão de epilepsia, informa o tutor que ele está predisposto a sofrer uma convulsão, e este procura uma posição e um local seguro para evitar danos maiores a sua integridade física, como quedas e choques de cabeça. Também auxilia no retorno da convulsão. E os cães de alérgicos alimentares identificam no ambiente do preparo da refeição a presença da substância geradora da alergia e retira o assistido do local.

Os Cães de Serviço para Crianças Autistas auxiliam em ambientes externos como ruas, centros comerciais, shopping Centers, e em locais onde haja muita estimulação sonora e visual. São cães para a segurança da criança, evitando o comportamento de fuga e retirando com facilidade a criança de comportamentos opositivos. Também podem ser coterapeutas e são utilizados para melhorar os padrões de sono, dormindo junto a criança.

Os Cães de Assistência ou Serviço são selecionados, socializados e treinados antes de serem entregues aos seus usuários. Geralmente recebem um colete que os identifique e a documentação necessária para que possam ter acesso aos locais onde exercem suas funções. O treinamento demanda tempo e especialização por parte do adestrador ou Instituto que oferta este tipo de trabalho, sendo indicado a busca minuciosa por informações acerca destes profissionais e/ou instituições.

Cães de Intervenções Assistidas por Animais

Por sua vez os cães de Intervenções Assistidas por Animais estão divididos em:

Cães de Terapia Assistida por Animais (TAA) são os cachorros tutelados por terapeutas, que auxiliam o processo da terapia e têm, durante sua vida laboral, inúmeros assistidos.

Cães de Educação Assistida por Animais (EAA) são os cachorros tutelados por educadores, que auxiliam a educação e o desenvolvimento dos assistidos e tem durante sua vida laboral inúmeros clientes.

Estas duas categorias se diferenciam da terceira em razão do seu caráter profissional e que estes profissionais, tanto educadores quanto terapeutas, tem objetivos bem traçados com uso do animal e fazem a mensuração de resultados de suas abordagens.

Cães de Atividades Assistidas por Animais (AAA) são os cães que tutelados por pessoas comuns, muitas vezes sem o intuito terapêutico e através da Atividade Assistida prestam um serviço profissional ou voluntário, mas que não tem objetivos específicos, não há mensuração de resultados e é espontânea.

Lembrando que os Cães de Interações Assistidas por Animais não recebem certificação ou documentação para ter acesso a transporte público ou irrestrito em locais públicos segundo a legislação vigente atualmente no Brasil. Isso não significa que certificações de treinamento e registros em entidades que permeiam o setor não sejam importantes.

Cães de Apoio/Suporte

Já os cães de apoio se dividem em Técnico e Emocional. São animais já tutelados por seu usuário, porém não passaram por um processo de socialização e treino formal com algum profissional, Instituto ou Entidade, mas que podem ser treinados para auxiliar em algumas tarefas. Estes animais recebem colete de identificação, mas não terão acesso a locais públicos irrestritamente, como é o caso de Cães de Serviço, mas podem, após o treinamento, auxiliar seus tutores nas tarefas solicitadas no processo de adestramento.

Novas Frentes e Novos Trabalhos para os Cães de Ajuda Social

Enfrentamos neste ano de 2025 inúmeras alterações em termos socioculturais e as perspectivas para o futuro de Cães de Ajuda Social estão nesta esteira de inovações.

Em 2024, associações internacionais como AAII (Animal Assisted Intervention International), IAHAIO (International Association Human-Animal Interaction Organization) e HAI (Human-Animal Interaction) propõe uma alteração no uso do termo Intervenção Assistida por Animais bem como nos termos derivativos. A justificativa é que a terminologia atual não pode acomodar a expansão e diversificação de programas nos últimos anos, o que provavelmente continuará à medida que o campo evolui[1]. A proposta destas entidades é que o termo seja Serviços Assistidos por Animais (SAA).

E as propostas não param por aí. Se vê projetos para áreas jurídicas com os Cães de Assistência Judiciária, Cães de Assistência à Natação (com enfoque terapêutico para autistas), Cães de Serviço Psiquiátrico, para Transtornos de Estresse Pós-Traumático e para Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Estes temas serão tratados em outros textos aqui no blog do Instituto Cão Companheiro. Fato é que se faz necessário uma melhor compreensão do uso dos cães nos mais variados contextos, mas sabidamente estes animais contribuem, e muito, com os humanos atualmente.

Por Rafael Wisneski


[1] Johnson et al. Recommendations for uniform terminology in animal-assisted services (AAS). Human-Animal Interactions. https://doi.org/10.1079/hai.2024.0003.

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